Saturday, August 13, 2016

Radio Panamericana aka JOVEM PAN 1966-1967

TV Record started beaming its waves in 1952, just 2 years after TV Tupi had opened this new medium of communication in Brazil. By 1960 there was new kid in the block in the guise of TV Excelsior that revolutionized the medium and went to #1 in the ratings less than 2 years after opening shop. 

By 1963, TV Excelsior was #1... then came TV Record or TV Tupi. By mid 1965 TV Record finally found its place in the fierce competition turning all its energy toward pop-music programmes for the masses. In May 1965, TV Record launched Elis Regina at 'O Fino da Bossa'... 3 months later it started 'Jovem Guarda' on Sunday afternoons catering for teeny-boppers... soon after came 'Bossaudade' for older people, 'Corte-Rayol Show' for middle-of-the-road viewers etc. In mid-1966, TV Record organized a pop-music festival that kept the whole country in awe. TV Record had come full circle and was rewarded by high ratings.

TV Record in 1966-1967 felt like Hollywood's MGM in the 1930s where there were more stars than the heavens. Record had the best Brazilian musicians under contract. They didn't have enough air-space to show all those talented people. Someone then gave them a bright idea: Why not have these singers-song-writers show their talents on Radio Panamericana (one of Record's 3 radio stations)? They re-named the station as Radio Jovem Pan and employed all their super cast on radio shows lasting 30 minutes each.

Just the other day I was talking about those times with my friend Zé Luiz de Jesus and I was flabbergasted when he started telling me the time-slots of some of those radio-shows. I knew some of them but I was completely taken by surprise by others I had utterly forgotten over the years. So here I transcribe what Zé Luiz wrote about those years:


Num dia ensolarado da primavera de 1966

Talvez no grande ano de 1966, quando se gestava 1968... no aparelho de rádio sobre o guarda-comida Agnaldo Rayol, em seu programa na Radio Panamericana as 11:30, anunciava a nova música dos Beatles: 'Eleanor Rigby'... 'Ah, look at all the lonely people...'

Todo garoto de periferia tinha um relógio que jurava ter ganho do Agnaldo Rayol... 'Em plena praia, no céu azul brilhava o sol'...

Das 9:00 às 9:30 o Chico Buarque anunciava que estava vendendo um Reajelo, e que a Rita havia levado seu sorriso no sorriso dela seu assunto...

Das 14:30 às 15:00 tinha o 'Pequeno Príncipe' (Ronnie Von) com seu 'Soldadinho de chumbo', 'Escuta meu amor'... e perguntava 'Se eu fosse carpinteiro e você princesa, eu sem dinheiro, você com nobreza, você me amaria?',,, Piegas? Mas eu tinha 13 anos.

Wilson Simonal cantava 'Tributo a Martin Luther King' (*15 Janeiro 1929 + 4 Abril 1968) direto da Avenida Miruna... e a Cidinha Campos contava as fofocas dos contratados das Emissoras Unidas das 17:00 as 17:30. Não sei se a Miriam Batucada dizia algo, se alguém comprou sapatos para De Kalafe ou se Caetano Veloso já dizia: 'Boa palavra rapaz é assim que um homem faz...'

Era um tempo de mãe e quintal, de colega e volta da escola. O céu era mais azul, e deitado, olhando as nuvens brancas, dava para ver elefantes e palácios. O menino cresceu... e o Paul ficou velho, o John morreu, minha irmã casou e os móveis estão todos caindo os pedaços. Cortaram as árvores e canalizaram o rio... Eu resisto.


Newspaper ad showing Jovem Pan's programming on December 1966.

08:00  Elizeth Cardoso
10:30  Roberto Carlos
11:30  Agnaldo Rayol

13:00  Randal Juliano
15:00  Hebe Camargo
16:00  Erasmo Carlos & Wanderléa

17:00  Cidinha Campos
17:30  Elis Regina
20:30  Wilson Simonal

Oi Zé, 

fiquei um tempão procurando anúncio da Jovem Pan em 1966-1967 no Acervo do Estadão, e não achei. Dai, entrei em Google, digitei Jovem-Pan-1966 e apareceu esse anúncio magnifico postado no site Sanduíche Musical, que aliás, é muito bacana: http://sanduichemusical.blogspot.com.br/2011/12/roberto-carlos-encontro-com-roberto.html

Você acertou todos os horários. O anúncio é de Dezembro 1966... os programas do Chico Buarque e do Ronnie Von devem ter sido introduzidos no início de 1967, por isso não estão na grade. 

Ah, a Elis Regina entrava as 17:30. Agora me lembro que eu ficava entre a cruz e a espada no horário das 5:30 da tarde, pois era a hora que eu saía do meu serviço no laboratório de análises. Não dava para delongar, pois teria que caminhar da rua Theodoro Sampaio, 2112 até a Rua Simpatia, 103, na Vila Madalena, para jantar e depois ir p'ro ginásio que ficava lá no topo do morro da Vila e a aula começando as 19:30. Eu não podia perder tempo... e nunca escutava o programa da Elis, que era a adorada entre os artistas brasileiros... só os estrangeiros (Rita Pavone e Mamas & Papas) é que superavam a Elis em meu apreço. As vezes eu ainda esperava o 'Oi' dela pelas ondas da Pan, e já saia em disparada. 

Depois, com o aparecimento da Tropicália, eu me transferi para o circulo de influência dos bahianos (e Mutantes, Rogerio Duprat) mas em 1966 eu era 'Elis roxo'! O Chico tinha acabado de 'estourar' com 'A banda'. Mas a Tropicália só aparece no final de 1967. 1968 foi um ano ótimo... ele só 'entortou' no dia 13 de Dezembro... ai, sim, fudeu tudo. 

Shopping Center Iguatemi opens to the public on Sunday, 27 November 1966, with a musical show with Chico Buarque de Hollanda, Nara Leão, comedian Chico Anysio plus Eliana Pittman, Booker Pittman and Caçulinha & his combo.
'O Estado de S.Paulo' 29 November 1966.

Saturday, June 25, 2016

CINERAMA - Cine Comodoro

C I N E R A M A 

Cine Comodoro em fase final de preparação para inauguração em Agosto de 1959.
Cinerama era um novo método de projeção de filmes, que Hollywood bolou para fazer frente ao avanço da televisão. Não conseguiu o intendo, pois CinemascopePanavision e outras novidades não conseguiram tirar as pessoas de suas casas para ir ao cinema. Cinerama tinha três cabines de projeção, como se vê no desenho acima. A tela era curva e o som stereophonico de alta-fidelidade. As 7 produções feitas em Hollywood não passavam de documentários turísticos sofisticados... e depois que a novidade passou, a coisa murchou e os cineramas tiveram que adaptar-se ao antigo método de apenas uma cabina projetora. Eu, particularmente, adorava ver cinerama, e assisti aos 7 filmes especiais, todos no Cine Comodoro.


Inicialmente vendia-se ingressos para assistir Cinerama até pelo Correio. 
glorious Cine Comodoro, na Avenida São João. 

a impressão que se tinha era essa... de se estar dentro de uma montanha russa... com a ajuda do som sterophonico muito alto..

as pessoas, geralmente, gritavam dentro do cinema, como se estivessem, realmente, numa montanha russa, como diz o artigo da revista Life.


A empresa proprietária do Cine Comodoro convidou a crônica especializada para explicações sobre o sistema Cinerama, diretamente do sr.  Harry Goldberg – que veio dos EEUU especialmente para supervisionar a montagem do aparelhamento, Paulo Sá Pinto e Isidoro Jackbson, que serviu de intérprete do técnico norte-americano.

O sistema Cinerama existe nos EUA desde 1952 e especializa-se em documentários excitantes como 'This is Cinerama', um passeio de avião sobre o vertiginoso Grand Canyon, que fez o presidente Eisenhower declarar depois de assistir à cena: ‘É a 1ª vez que sinto medo em viajar de avião!’ Ora se observa os canais imensos de Veneza, a seguir um espetáculo de gala no Scala de Milão – com a Grande Marcha da ópera ‘Aida’, e depois o Papa Pio XII abençoando a multidão, nas sacadas do Vatico e assim por diante.

Normalmente uma sala que exibe Cinerama tem 1.500 lugares, mas o Cine Comodoro possui apenas 1.019 poltronas, o que melhorará a visão de todos. Revelou-nos o sr. Goldberg que este é o 1º cinema, no mundo inteiro, concebido especialmente para o Cinerama. Na América do Sul, apenas a Argentina e a Venezuela possuem salas especiais.

A projeção é feita por 3 câmaras, atuando simultaneamente. A emissão de som stereo é propagada por 44 alto-falantes, todos controlados por um engenheiro. Alguns desses alto-falantes alcançam 15.000 ciclos de freqüência, enquanto outros descem a 35 ciclos, registrando os sons mais baixos.

Cine Comodoro foi inaugurado pelo Presidente Juscelino Kubitscheck no dia 18 Agosto 1959.


Tuesday, May 31, 2016

Odayr Marzano radio-theatre heart-throb

Odayr Marzano was the closest São Paulo radio-theatre got to a heart-throb. He had a beautiful manly voice which made him perfect for romantic heroes' parts at the long-drawn series. He was blonde and had blue eyes. 


Artigo tirado da revista 'Radio-Teatro' de 21 de Maio de 1952.

Odayr Marzano em 6 anos de profissionalismo, conseguiu tornar-se um dos intérpretes de radio-teatro de maior cartaz em São Paulo. É um moço de 22 anos, imberbe, de olhos claros, cabelos loiros e voz simpática.

Marzano nasceu em 20 de julho de 1929, em Botucatú-SP. Em 1945, aos 16 anos, entrou para a emissora local, onde começou como locutor. No entanto sonhava com a grande cidade e foi para São Paulo mandado pelo pai, com a recomendação: 'Nada de radio!'.

Em São Paulo estudou até o terceiro ano do curso Científico, mas não resistiu, e quando uma emissora abriu as inscrições para um concurso de locutores, inscreveu-se... e ganhou.

O RADIO TEATRO

Em 1949, um galã da Radio São Paulo transferiu-se para o Rio de Janeiro e deixou uma vaga na emissora e uma lacuna no coração das fãs. O melífluo namorado de mil heroínas foi substituido por aquele rapazinho que tinha vindo de Botucatú, chamado Odayr Marzano, que começou a tomar parte na programção maciça de novelas de 20 capítulos em que a Radio São Paulo se especializou e fêz um sucesso incrível.

As ouvintes se retorciam em casa, ouvindo sua voz adocicada, as declarações de amor que ele fazia ao microfone e começou a chover cartas, chegando a 100 por dia. Quando a emissora anunciava uma história nova o auditório se enchia. Todas queriam conhecer o dono da voz romântica. Odayr Marzano ganhou fama e dinheiro.


Odayr Marzano - Maio 1952.
Odayr & Stella on 11 February 1950 their wedding day. 

O CASAMENTO DE VERDADE

Com tantas fãs, era natural que um dia Odayr encontrasse uma namorada, que se tornaria noivo, uma, duas, trêz vezes, depois acabasse se casando. E foi o que aconteceu. Namorou, noivou e no dia 11 fevereiro 1950, o galã casou-se. Quando chegou na igreja da Consolação havia uma pequena multidão esperando-o. As fãs já haviam 'depredado' outros noivos por engano. Tiraram o véu de uma noiva. Quando os padrinhos do artista viram aquela assistência que não tinha sido convidada, ficaram brancos, prevendo o barulho. 'Como foi isso?' interrogava o padrinho Waldemar Ciglione – também galã de radio-teatro – 'nós não anunciamos o casamento! ' Mas a admiração do padrinho não afugentou as fãs e os futuros sogros do astro, apavorados, tiveram de passar por aquela.

Odayr foi atacado pelas garôtas que invadiram a igreja, provocando a indignação do Monsignor Bastos. O público mudou os bancos da igreja, subiu no pulpito, escorou-se nos altares, uma desordem incrível. Resultado: Odayr Marzano não pôde casar direito. Monsignor Bastos ficou furioso e disse que nunca mais casaria artistas de radio, principalmente cartazes.

Depois disso muitas coisas aconteceram, o galã transferiu-se para a Radio Nacional de São Paulo, nasceu-lhe uma filha e comprou um Chevrolet.

COMO É?

Ah! isto é uma coisa que as fãs sempre perguntam. Pois bem, Odayr Marzano é um moço claro e alto, fala manso, calça sapatos no. 39, gosta de azul e cinza e mora na rua Luiz Anhaia, no Alto de Pinheiros. O repórter perguntou a ele que tipo de mulher prefere, mas o galã de tantas histórias românticas, pôs dois dedos nos lábios em sinal de silêncio. E explicou: 'Diga o que quiser sobre isso, mas não me meta em apuros. Minha senhora é ciumenta e não quero complicações'. Mas depois de uma pausa, informou: 'Prefiro as bonitas, ouviu?'

Odayr Marzano já escreveu novelas para a Radio São Paulo. Gosta de ler e aprecia particularmente, Machado de Assis, Humberto de Campos Monteiro Lobato. Em música adora Tschaikowsky. É um moço simples.  E que voz, heim?!


revista Radiolar # 36 de maio 1953 mostra casamentos dos astros e estrelas da radio-novela. Acima à direita, foto do casamento de Odayr Marzano & Stella; Radiolar #12 de março 1951 mostra Odayr Marzano, Stella e a filhinha Vera Lucia. 

Odayr Marzano declama no interlúdio de 'Creio em ti' [I believe] gravação de Francisco Egydio para a Odeon.

Odayr Marzano na revista 'Radiolândia'.

Wilma Bentivegna e seu troféu 'Chico Viola' de 1961, que recebeu pela vendagem de 'Folhas verdes de verão'. Note que Wilma 'esnobou' a TV Record em 1959, não comparecendo à cerimônia de entrega do 'Chico Viola' 1959, que ela tinha sido agraciada pelas vendagens de 'Hino ao amor', versão de Odayr Marzano.

Sunday, May 29, 2016

Walter Forsters (actor) - Urbano Reis (radio producer)

revista Radiolar #4 - June 1950 - Walter Forster radio & TV actor. 

Walter Forster, o índio loiro da Taba (Radio e TV Tupi)

Walter Gerhard Forster nasceu em 23 Março 1917, em Campinas-SP, filho de Ida e Jacob Forster. Irmãos: Ilse Forster Holtmann, Alice Forster Hilkner, Eduardo Forster, Ludwig Forster e Reinaldo Forster, pela ordem cronológica. 

Quando era menino tinha apelido de Cartola – não sabe porque.  Sentiu grande orgulho quando soube que era tio da linda Daisy, a primeira sobrinha. Tinha então, 12 anos em 1929. A pior lembrança que tem desse tempo é quando fumou o primeiro cigarro e sentiu horrível disposição e ainda por cima apanhou em casa. Lembra-se que foram os únicos ‘tabefes’ paternos que recebeu na vida. Hoje (junho 1950) fuma Continental e Philip Morris, isso fora o cachimbo... e se sente bem.

Gostava de brincar de ‘troça’ na rua com os companheiros. Sempre foi o ‘guidão’. Guiava caminhão aos 12 anos.

Estudou na antiga Escola Alemã de Campinas e no Ginásio Estadual de Campinas. Botou calças compridas aos 13 anos... e por sinal que eram as calças do irmão mais velho. Era um ‘pirolão’ nessa idade. Seus pais achavam que ele teria futuro na Odontologia. Hoje em dia ele reconhece que não teria paciência para viver essa profissão.

revista Radiolar #4 - June 1950 - Urbano Reis & family. 

Urbano Reis (radio producer)
Jovem e aplaudido produtor da Radio São Paulo

- Qual seu nome verdadeiro?

Braz Espósito. Sou xará de Braz Cubas, o fundador da cidade de Santos, sem o Cubas, é claro. 

Minha mãe chama-se Lucia. Tenho uma irmã de 23 anos e um irmão, Rubens, com 17. Todos me chamam por Braz. Os outros todos, inclusive minha esposa e meu filho (ele não me chama de ‘pai’) tratam me de Urbano. Aliás, é bom dizer aqui, entre parênteses, que eu sinto-me mais Urbano que Braz, embora o Braz, aqui em São Paulo fique dentro do perímetro Urbano.

- Qual é a sua melhor recordação da infância?


- Eu sou como o dom Fulgêncio. Não tive infância e por isso faço agora tudo que devia ter feito quando era pequeno. Por isso meu filho Walter Ivan não me chama de pai e sim de Urbano. Ele tem 2 anos, eu tenho 28 (nasci em 1922).

Radiolar #31 - October 1952.

Newton Sá - popular leading radio actor aka galã

Deixemos que o próprio Newton fale sobre sua vida: Meu pai era farmacêutico... à força de tanto lidar com receitas e drogas, acaba sendo um pouco médico... e sonhava para mim uma carreira de médico. Mas eu, que gostava tanto de brincar na fazenda de meu tio em Avaré-SP acabei querendo ser boiadeiro a toda força.

Nasci na cidade de Maracay-SP, em 13 Outubro 1923. Hoje tenho 29 anos e moro no Alto da Lapa com minha esposa Neusa Terezinha Araújo e nosso filhinho Jorge Newton.

- É verdade que você ingressou no radio como cantor?

- Sim. Desde criança tive queda para o canto. Com 6 anos, sob a direção de meu saudoso pai, cheguei a cantar em muitas cidades do interior do Paraná e São Paulo. E ainda me lembro de algumas canções desse tempo. E tomando o violão Newton interpretou algumas canções antigas.

Meu pai se chamava Jorge e minha mãe Yolanda Rosa Righi. A pior emoção de minha vida foi quando morreu Papai. Lembro-me ainda da sala cheia de gente, o caixão e papai. Quando me ergueram do chão para que eu o beijasse pela ultima vez, eu sorri para os presentes como se estivesse num palco agradecendo aplausos. Nunca me esquecerei desse beijo, que só depois de grande compreendi. Eu tinha então, 7 anos de idade.

Vesti calças compridas pela 1ª vez quando tinha 13 anos, e como me senti importante. Aos 12 anos eu já fumava, apesar da proibição dos adultos. Minha 1ª namorada se chamava Elizabeth. Sempre fui leitor assíduo da Tico Tico. Hoje os tempos mudaram e a gurizada quer mais ação e dinamismo. Eu acompanho esse ritmo e encarno um personagem tão do gosto da época, Capitão Atlas.

- Conte-nos como ingressou no radio, Newton.

- Foi com o cantor. Cantei no radio fazendo parte do conjunto da Radio Gazeta. Não tive sorte, não fui compreendido. Achavam que a minha voz era muito parecida com a do Orlando Silva. Isso me prejudicou. Um dia resolvi tentar a Radio São Paulo. Lá tinha um grande amigo, o Waldyr de Oliveira. Submeti-me a teste com o Augusto Bonani e fui bem sucedido. Meu 1º papel surgiu na novela ‘Vida’, de Thalma de Oliveira, positivando-se depois com o papel de galã da novela ‘O lodo e as estrelas’ escrita por Cyro Bassini.

- É verdade que o gênero radio-teatro está cansando?

- Não. A novela foi, é e será sempre a viga mestra do radio. É atacada porque é grande. E tudo que é grande provoca inveja.

- Qual é o seu passa-tempo predileto?

- Cantar, cantar, cantar. Quando não estou no radio, onde trabalho 7 horas por dia, estou em casa cantando. Também gosto de andar de bicicletas.

Maria Tereza Luizzeto Alves de Lima who moved to Pinheiros and Vila Madalena in 1948 wrote on 31st March 2011 at São Paulo minha cidade:

Minha madrinha morava na Rua Fidalga, na Vila Madalena. A Vila era maravilhosa, começando pelas placas das ruas, que eram de cor vermelha invés das costumeiras azuis.

Um dia, minha irmã Zizinha, descobriu que um galã de novelas morava na rua Luiz Anhaia, uma rua de um quarteirão apenas, começando na rua Aspicuelta e terminando na rua Wizard. Chamava-se Odayr Marzano, um jovem de aproximadamente 20 anos, loiríssimo de grandes olhos azuis, estatura média, bonito como ele só.

O Odayr atuava na Radio São Paulo, uma emissora do grupo de Paulo Machado de Carvalho que tinha seus estúdios na Alameda Barros e era dedicada a radio-novelas. Ela tinha uma audiência enorme!

Arthur Miranda wrote at the same site, São Paulo minha cidade: Conheci muito o pessoal da Radio São Paulo dessa época. Tive 3 sobrinhos que trabalharam nessa famosa radio: Newton Sá, galã casado com  minha sobrinha Neusa Araujo; e o Carlos Araujo, ator central, casado com a atriz Odete Lins... e muitos amigos como Antonio Aragão, Fred Jorge (o Jaburu), Mario Dias, Gilmara Sanches, casada com Ezio Ramos, Arlete Montenegro, Enio Rocha com também o Odayr Marzano, que também fez televisão mais tarde.

Friday, May 27, 2016

Radio theatre & real life in São Paulo 1951

According to Wikipedia radio drama - or audio drama, audio play, radio play, radio theatre or audio theatre - is a dramatized, purely acoustic performance, broadcast on radio. With no visual component, radio drama depends on dialogue, music and sound effects to help the listener imagine the characters and story. 

Radio drama reached the peak of popularity in Brazil during the 1940s up to the mid-1950s. I remember listening to radio-drama up to 1964. My father bought a TV set in 1965 so we stopped listening to 'Juvencio, o justiceiro do sertão' on Radio Piratininga.

But we're talking here mostly of romantic radio theatre that was really popular among women of all ages. PRA-5, Radio São Paulo was king of the radio plays that stretched out for months until it reached a peak with a happy ending. Radio-drama actors and actresses were almost like royalty to thousands of women who idolized them. When they got married the churches were sometimes mobbed and scenes of hysteria would take place. 

Cecy de Alencar weds Roberto de Carvalho in May 1951 and are on the cover of Radiolar June issue. 
 'With this ring I thee wed...'
the crowd wait outside the packed church to have a glimpse of the newly-weds. 
Cecy de Alencar & Roberto de Carvalho. 
Roberto de Carvalho & Cecy de Alencar in their honey-moon. 
Radiolar put radio-stars' children on the cover of April 1953 issue and fans hurried to buy copies and identify the kids with their parents; on 1954 Mothers' Day, Radiolar had 2 radio-stars with their kids on the cover. Cecy de Alencar & her son Alexandre is on the right.

Sunday, April 17, 2016

Maximo Engracia 18 November 1947

I met Maximo Engracia circa 2004 as a member of a group of old people who used to assembled at Pateo do Colegio (downtown Sao Paulo) every Tuesday at 2:00 PM. The group was made up of mostly old men and some women who cherished old Brazilian pop music. One was either a fan of Orlando Silva or Francisco Alves the two most prominent pop music idols of the 1930s and 1940s. I was told Maximo was a Chicoalvista.

When Maximo passed away, we were informed that the family would sell records and memorabilia he had collected throughout his life. On a particular day we all went to the spacious flat he used to live on Parque D. Pedro II and spent a few hours going through all his stuff. I bought a couple of 78 rpm singles I had been particularly looking for. Some people left the apartment laden with kilos of material. 

While I went through his old records and magazines I noticed there was a waste-paper basket with some rubbish thrown in. I rummaged through it and found an envelope containing a few snapshots of Maximo's taken while he was a young man in the 1940s. I decided to keep those photos and here I post them. 

After I posted the photos I realized I knew very little about Maximo so I rang Paulo Iabutti, one of the oldest living members of the group we used to call 'Pateo do Colegio people' and he told me Maximo had a flower shop at Parque D. Pedro II and he hailed originally from Ribeirão Preto-SP or thereabouts. He also said Maximo had a son who lived somewhere in the East sector of the city. That's not much but I'm hopeful I will find someone who will enlighten me a bit more about Maximo's activities. While that is not possible let's enjoy these snapshots taken mostly circa 1947 and imagine what his life was like in those far-away times.
  
Maximo Engracia working as a shop assistant in 1947.
Maximo was a popular fellow and socialized with these 3 mates. At the background one can see Theatro D.Pedro II and the main square in Ribeirão Preto-SP.
It looks like this group of young men have been travelling together. They pose under the sign of Guatapará-SP, a town in the vicinity of Ribeirão Preto-SP. 
Here are the same guys with some others. It looks like they knew men who worked for the railway company for they are familiar with tracks and shunting. The snapshot on the right has been double-exposured; it would impossible for the guys to be sitting down on the tracks. 
Maximo's on top of the world with some white men. It is hard to place this photo. It looks like he worked in some business related to the construction industry or maybe the setting of paving stones...
These are the same 4 guys from the two initial photos. Maximo looks away from the camera. It looks like the buildings in the back are part of a railway station probably near Ribeirão Preto-SP.
This photo adds up to the mystery. One can easily see that's been shot on the same day as Maximo wears the same suit and striped necktie. Well, he wore striped socks to match with his tie which shows he was fashion-conscious. Most of them are Black but there is at least one white man (next to Maximo). I wonder if they were relatives of Maximo's. And who's the baby on the right?

Maximo & his mates go on an outing to the Ipiranga Monument and Museum 
  
Maximo & four of his mates having Museu do Ipiranga in the background. 
on the grounds of the Park of Ipiranga, São Paulo circa 1947.
they all look well dressed wearing suits and braces (suspenders). 
Maximos's mates seem to be clowning around with the lion at the Monument's feet; two of them hold bananas in a comic way.  on the right, 
Maximo on two occasions wearing a darker suit. On the left he apparently waits for a bus with some of his friends - all of them dressed to kill. Maximo holds a cigarette in his left hand which also sports a watch. On the right Maximo has taken off his jacket and leans against a picket fence.
I wonder what that all means... the boys are obviously too well-dressed to be working hard...
this photo is even more mind-boggling... its double-exposure adds up to the confusion... I can't make heads or tails of it.

Maximo & friend go to the beach in Santos-SP



  

Thais Matarazzo writes about Maximo Engracia and the things he told her about when he was a young man living in Ribeirão Preto-SP in the 1930s. 

'Eu me lembro que o sr. Máximo era nascido em Ribeirão Preto e desde cedo esteve ligado à música, frequentando a Radio Club da cidade. Ele disse que assistiu as apresentações de Carmen Miranda e sua irmã Aurora, Almirante e Vassourinha. Contou que ele estava na rua e a Radio ficava num casarão antigo com muitas janelas. Cada um desses artistas apareceu em uma janela diferente. Enquanto Carmen, Aurora e Almirante foram simpáticos com os fãs, Vassourinha foi muito altivo. O sr. Máximo chegou perto dele para pedir um autógrafo e o Vassourinha não quis dar. Preferiu conversar com as moças da cidade'. 

'Sim, o Maximo era florista e trabalhou muitos anos na região do Parque D. Pedro II. Me lembro que ele disse que teve várias lojas em diversos pontos daquela região. Conheceu sua futura mulher enquanto vendia flores. Ele disse que numa noite vendendo flores, apareceu lá o Sylvio Caldas'. 

Theatro Pedro II inaugurated in 1930. 
circa 1940.

Palacete Innecchi on the left on Rua Duque de Caxias, Ribeirão Preto. 
a just renovated Theatro Pedro II circa 2015...
At Pateo do Collegio in Sao Paulo, September 2004. From left to right: Ariovaldo, Thais Matarazzo, Gouvêa and his grandson (wearing a cap), Estevam, Ferretti, Paulo Iabutti, Milton Baumgarten & Maximo Engracia