Tuesday, September 27, 2016

Thursday, September 22, 2016

São Paulo radio stations in 1963

São Paulo radio stations circa 1963

620    Radio Panamericana  (Emissoras Unidas)
640    Radio Nove de Julho (owned by the Catholic Church)
670    Radio Excelsior (Organização Victor Costa)
700    Radio Eldorado (owned by newspaper 'O Estado de S.Paulo)
780    Radio Marconi
840    Radio Bandeirantes 
890    Radio Gazeta (owned by newspaper 'A Gazeta')
960    Radio Difusora  (Emissoras Associadas)

1.000   Radio Record (Emissoras Unidas)
1.040   Radio Tupi (Emissoras Associadas)
1.100   Radio Nacional (Organização Victor Costa)
1.200   Radio Piratininga
1.300   Radio São Paulo (Emissoras Unidas)
1.380   Radio Industrial Paulista
1.410   Radio America

Radio Cultura (Emissoras Associadas)
Radio Cometa ('Velho realejo' com Salomão Junior) 
Radio Santo Amaro

Saturday, August 13, 2016

Radio Panamericana aka JOVEM PAN 1966-1967

TV Record started beaming its waves in 1952, just 2 years after TV Tupi had opened this new medium of communication in Brazil. By 1960 there was new kid in the block in the guise of TV Excelsior that revolutionized the medium and went to #1 in the ratings less than 2 years after opening shop. 

By 1963, TV Excelsior was #1... then came TV Record or TV Tupi. By mid 1965 TV Record finally found its place in the fierce competition turning all its energy toward pop-music programmes for the masses. In May 1965, TV Record launched Elis Regina at 'O Fino da Bossa'... 3 months later it started 'Jovem Guarda' on Sunday afternoons catering for teeny-boppers... soon after came 'Bossaudade' for older people, 'Corte-Rayol Show' for middle-of-the-road viewers etc. In mid-1966, TV Record organized a pop-music festival that kept the whole country in awe. TV Record had come full circle and was rewarded by high ratings.

TV Record in 1966-1967 felt like Hollywood's MGM in the 1930s where there were more stars than the heavens. Record had the best Brazilian musicians under contract. They didn't have enough air-space to show all those talented people. Someone then gave them a bright idea: Why not have these singers-song-writers show their talents on Radio Panamericana (one of Record's 3 radio stations)? They re-named the station as Radio Jovem Pan and employed all their super cast on radio shows lasting 30 minutes each.

Just the other day I was talking about those times with my friend Zé Luiz de Jesus and I was flabbergasted when he started telling me the time-slots of some of those radio-shows. I knew some of them but I was completely taken by surprise by others I had utterly forgotten over the years. So here I transcribe what Zé Luiz wrote about those years:


Num dia ensolarado da primavera de 1966

Talvez no grande ano de 1966, quando se gestava 1968... no aparelho de rádio sobre o guarda-comida Agnaldo Rayol, em seu programa na Radio Panamericana as 11:30, anunciava a nova música dos Beatles: 'Eleanor Rigby'... 'Ah, look at all the lonely people...'

Todo garoto de periferia tinha um relógio que jurava ter ganho do Agnaldo Rayol... 'Em plena praia, no céu azul brilhava o sol'...

Das 9:00 às 9:30 o Chico Buarque anunciava que estava vendendo um Reajelo, e que a Rita havia levado seu sorriso no sorriso dela seu assunto...

Das 14:30 às 15:00 tinha o 'Pequeno Príncipe' (Ronnie Von) com seu 'Soldadinho de chumbo', 'Escuta meu amor'... e perguntava 'Se eu fosse carpinteiro e você princesa, eu sem dinheiro, você com nobreza, você me amaria?',,, Piegas? Mas eu tinha 13 anos.

Wilson Simonal cantava 'Tributo a Martin Luther King' (*15 Janeiro 1929 + 4 Abril 1968) direto da Avenida Miruna... e a Cidinha Campos contava as fofocas dos contratados das Emissoras Unidas das 17:00 as 17:30. Não sei se a Miriam Batucada dizia algo, se alguém comprou sapatos para De Kalafe ou se Caetano Veloso já dizia: 'Boa palavra rapaz é assim que um homem faz...'

Era um tempo de mãe e quintal, de colega e volta da escola. O céu era mais azul, e deitado, olhando as nuvens brancas, dava para ver elefantes e palácios. O menino cresceu... e o Paul ficou velho, o John morreu, minha irmã casou e os móveis estão todos caindo os pedaços. Cortaram as árvores e canalizaram o rio... Eu resisto.


Newspaper ad showing Jovem Pan's programming on December 1966.

08:00  Elizeth Cardoso
10:30  Roberto Carlos
11:30  Agnaldo Rayol

13:00  Randal Juliano
15:00  Hebe Camargo
16:00  Erasmo Carlos & Wanderléa

17:00  Cidinha Campos
17:30  Elis Regina
20:30  Wilson Simonal

Oi Zé, 

fiquei um tempão procurando anúncio da Jovem Pan em 1966-1967 no Acervo do Estadão, e não achei. Dai, entrei em Google, digitei Jovem-Pan-1966 e apareceu esse anúncio magnifico postado no site Sanduíche Musical, que aliás, é muito bacana: http://sanduichemusical.blogspot.com.br/2011/12/roberto-carlos-encontro-com-roberto.html

Você acertou todos os horários. O anúncio é de Dezembro 1966... os programas do Chico Buarque e do Ronnie Von devem ter sido introduzidos no início de 1967, por isso não estão na grade. 

Ah, a Elis Regina entrava as 17:30. Agora me lembro que eu ficava entre a cruz e a espada no horário das 5:30 da tarde, pois era a hora que eu saía do meu serviço no laboratório de análises. Não dava para delongar, pois teria que caminhar da rua Theodoro Sampaio, 2112 até a Rua Simpatia, 103, na Vila Madalena, para jantar e depois ir p'ro ginásio que ficava lá no topo do morro da Vila e a aula começando as 19:30. Eu não podia perder tempo... e nunca escutava o programa da Elis, que era a adorada entre os artistas brasileiros... só os estrangeiros (Rita Pavone e Mamas & Papas) é que superavam a Elis em meu apreço. As vezes eu ainda esperava o 'Oi' dela pelas ondas da Pan, e já saia em disparada. 

Depois, com o aparecimento da Tropicália, eu me transferi para o circulo de influência dos bahianos (e Mutantes, Rogerio Duprat) mas em 1966 eu era 'Elis roxo'! O Chico tinha acabado de 'estourar' com 'A banda'. Mas a Tropicália só aparece no final de 1967. 1968 foi um ano ótimo... ele só 'entortou' no dia 13 de Dezembro... ai, sim, fudeu tudo. 

Shopping Center Iguatemi opens to the public on Sunday, 27 November 1966, with a musical show with Chico Buarque de Hollanda, Nara Leão, comedian Chico Anysio plus Eliana Pittman, Booker Pittman and Caçulinha & his combo.
'O Estado de S.Paulo' 29 November 1966.

Saturday, June 25, 2016

CINERAMA - Cine Comodoro

C I N E R A M A 

Cine Comodoro em fase final de preparação para inauguração em Agosto de 1959.
Cinerama era um novo método de projeção de filmes, que Hollywood bolou para fazer frente ao avanço da televisão. Não conseguiu o intendo, pois CinemascopePanavision e outras novidades não conseguiram tirar as pessoas de suas casas para ir ao cinema. Cinerama tinha três cabines de projeção, como se vê no desenho acima. A tela era curva e o som stereophonico de alta-fidelidade. As 7 produções feitas em Hollywood não passavam de documentários turísticos sofisticados... e depois que a novidade passou, a coisa murchou e os cineramas tiveram que adaptar-se ao antigo método de apenas uma cabina projetora. Eu, particularmente, adorava ver cinerama, e assisti aos 7 filmes especiais, todos no Cine Comodoro.


Inicialmente vendia-se ingressos para assistir Cinerama até pelo Correio. 
glorious Cine Comodoro, na Avenida São João. 

a impressão que se tinha era essa... de se estar dentro de uma montanha russa... com a ajuda do som sterophonico muito alto..

as pessoas, geralmente, gritavam dentro do cinema, como se estivessem, realmente, numa montanha russa, como diz o artigo da revista Life.


A empresa proprietária do Cine Comodoro convidou a crônica especializada para explicações sobre o sistema Cinerama, diretamente do sr.  Harry Goldberg – que veio dos EEUU especialmente para supervisionar a montagem do aparelhamento, Paulo Sá Pinto e Isidoro Jackbson, que serviu de intérprete do técnico norte-americano.

O sistema Cinerama existe nos EUA desde 1952 e especializa-se em documentários excitantes como 'This is Cinerama', um passeio de avião sobre o vertiginoso Grand Canyon, que fez o presidente Eisenhower declarar depois de assistir à cena: ‘É a 1ª vez que sinto medo em viajar de avião!’ Ora se observa os canais imensos de Veneza, a seguir um espetáculo de gala no Scala de Milão – com a Grande Marcha da ópera ‘Aida’, e depois o Papa Pio XII abençoando a multidão, nas sacadas do Vatico e assim por diante.

Normalmente uma sala que exibe Cinerama tem 1.500 lugares, mas o Cine Comodoro possui apenas 1.019 poltronas, o que melhorará a visão de todos. Revelou-nos o sr. Goldberg que este é o 1º cinema, no mundo inteiro, concebido especialmente para o Cinerama. Na América do Sul, apenas a Argentina e a Venezuela possuem salas especiais.

A projeção é feita por 3 câmaras, atuando simultaneamente. A emissão de som stereo é propagada por 44 alto-falantes, todos controlados por um engenheiro. Alguns desses alto-falantes alcançam 15.000 ciclos de freqüência, enquanto outros descem a 35 ciclos, registrando os sons mais baixos.

Cine Comodoro foi inaugurado pelo Presidente Juscelino Kubitscheck no dia 18 Agosto 1959.


Tuesday, May 31, 2016

Odayr Marzano radio-theatre heart-throb

Odayr Marzano was the closest São Paulo radio-theatre got to a heart-throb. He had a beautiful manly voice which made him perfect for romantic heroes' parts at the long-drawn series. He was blonde and had blue eyes. 


Artigo tirado da revista 'Radio-Teatro' de 21 de Maio de 1952.

Odayr Marzano em 6 anos de profissionalismo, conseguiu tornar-se um dos intérpretes de radio-teatro de maior cartaz em São Paulo. É um moço de 22 anos, imberbe, de olhos claros, cabelos loiros e voz simpática.

Marzano nasceu em 20 de julho de 1929, em Botucatú-SP. Em 1945, aos 16 anos, entrou para a emissora local, onde começou como locutor. No entanto sonhava com a grande cidade e foi para São Paulo mandado pelo pai, com a recomendação: 'Nada de radio!'.

Em São Paulo estudou até o terceiro ano do curso Científico, mas não resistiu, e quando uma emissora abriu as inscrições para um concurso de locutores, inscreveu-se... e ganhou.

O RADIO TEATRO

Em 1949, um galã da Radio São Paulo transferiu-se para o Rio de Janeiro e deixou uma vaga na emissora e uma lacuna no coração das fãs. O melífluo namorado de mil heroínas foi substituido por aquele rapazinho que tinha vindo de Botucatú, chamado Odayr Marzano, que começou a tomar parte na programção maciça de novelas de 20 capítulos em que a Radio São Paulo se especializou e fêz um sucesso incrível.

As ouvintes se retorciam em casa, ouvindo sua voz adocicada, as declarações de amor que ele fazia ao microfone e começou a chover cartas, chegando a 100 por dia. Quando a emissora anunciava uma história nova o auditório se enchia. Todas queriam conhecer o dono da voz romântica. Odayr Marzano ganhou fama e dinheiro.


Odayr Marzano - Maio 1952.
Odayr & Stella on 11 February 1950 their wedding day. 

O CASAMENTO DE VERDADE

Com tantas fãs, era natural que um dia Odayr encontrasse uma namorada, que se tornaria noivo, uma, duas, trêz vezes, depois acabasse se casando. E foi o que aconteceu. Namorou, noivou e no dia 11 fevereiro 1950, o galã casou-se. Quando chegou na igreja da Consolação havia uma pequena multidão esperando-o. As fãs já haviam 'depredado' outros noivos por engano. Tiraram o véu de uma noiva. Quando os padrinhos do artista viram aquela assistência que não tinha sido convidada, ficaram brancos, prevendo o barulho. 'Como foi isso?' interrogava o padrinho Waldemar Ciglione – também galã de radio-teatro – 'nós não anunciamos o casamento! ' Mas a admiração do padrinho não afugentou as fãs e os futuros sogros do astro, apavorados, tiveram de passar por aquela.

Odayr foi atacado pelas garôtas que invadiram a igreja, provocando a indignação do Monsignor Bastos. O público mudou os bancos da igreja, subiu no pulpito, escorou-se nos altares, uma desordem incrível. Resultado: Odayr Marzano não pôde casar direito. Monsignor Bastos ficou furioso e disse que nunca mais casaria artistas de radio, principalmente cartazes.

Depois disso muitas coisas aconteceram, o galã transferiu-se para a Radio Nacional de São Paulo, nasceu-lhe uma filha e comprou um Chevrolet.

COMO É?

Ah! isto é uma coisa que as fãs sempre perguntam. Pois bem, Odayr Marzano é um moço claro e alto, fala manso, calça sapatos no. 39, gosta de azul e cinza e mora na rua Luiz Anhaia, no Alto de Pinheiros. O repórter perguntou a ele que tipo de mulher prefere, mas o galã de tantas histórias românticas, pôs dois dedos nos lábios em sinal de silêncio. E explicou: 'Diga o que quiser sobre isso, mas não me meta em apuros. Minha senhora é ciumenta e não quero complicações'. Mas depois de uma pausa, informou: 'Prefiro as bonitas, ouviu?'

Odayr Marzano já escreveu novelas para a Radio São Paulo. Gosta de ler e aprecia particularmente, Machado de Assis, Humberto de Campos Monteiro Lobato. Em música adora Tschaikowsky. É um moço simples.  E que voz, heim?!


revista Radiolar # 36 de maio 1953 mostra casamentos dos astros e estrelas da radio-novela. Acima à direita, foto do casamento de Odayr Marzano & Stella; Radiolar #12 de março 1951 mostra Odayr Marzano, Stella e a filhinha Vera Lucia. 

Odayr Marzano declama no interlúdio de 'Creio em ti' [I believe] gravação de Francisco Egydio para a Odeon.

Odayr Marzano na revista 'Radiolândia'.

Wilma Bentivegna e seu troféu 'Chico Viola' de 1961, que recebeu pela vendagem de 'Folhas verdes de verão'. Note que Wilma 'esnobou' a TV Record em 1959, não comparecendo à cerimônia de entrega do 'Chico Viola' 1959, que ela tinha sido agraciada pelas vendagens de 'Hino ao amor', versão de Odayr Marzano.

Sunday, May 29, 2016

Walter Forsters (actor) - Urbano Reis (radio producer)

revista Radiolar #4 - June 1950 - Walter Forster radio & TV actor. 

Walter Forster, o índio loiro da Taba (Radio e TV Tupi)

Walter Gerhard Forster nasceu em 23 Março 1917, em Campinas-SP, filho de Ida e Jacob Forster. Irmãos: Ilse Forster Holtmann, Alice Forster Hilkner, Eduardo Forster, Ludwig Forster e Reinaldo Forster, pela ordem cronológica. 

Quando era menino tinha apelido de Cartola – não sabe porque.  Sentiu grande orgulho quando soube que era tio da linda Daisy, a primeira sobrinha. Tinha então, 12 anos em 1929. A pior lembrança que tem desse tempo é quando fumou o primeiro cigarro e sentiu horrível disposição e ainda por cima apanhou em casa. Lembra-se que foram os únicos ‘tabefes’ paternos que recebeu na vida. Hoje (junho 1950) fuma Continental e Philip Morris, isso fora o cachimbo... e se sente bem.

Gostava de brincar de ‘troça’ na rua com os companheiros. Sempre foi o ‘guidão’. Guiava caminhão aos 12 anos.

Estudou na antiga Escola Alemã de Campinas e no Ginásio Estadual de Campinas. Botou calças compridas aos 13 anos... e por sinal que eram as calças do irmão mais velho. Era um ‘pirolão’ nessa idade. Seus pais achavam que ele teria futuro na Odontologia. Hoje em dia ele reconhece que não teria paciência para viver essa profissão.

revista Radiolar #4 - June 1950 - Urbano Reis & family. 

Urbano Reis (radio producer)
Jovem e aplaudido produtor da Radio São Paulo

- Qual seu nome verdadeiro?

Braz Espósito. Sou xará de Braz Cubas, o fundador da cidade de Santos, sem o Cubas, é claro. 

Minha mãe chama-se Lucia. Tenho uma irmã de 23 anos e um irmão, Rubens, com 17. Todos me chamam por Braz. Os outros todos, inclusive minha esposa e meu filho (ele não me chama de ‘pai’) tratam me de Urbano. Aliás, é bom dizer aqui, entre parênteses, que eu sinto-me mais Urbano que Braz, embora o Braz, aqui em São Paulo fique dentro do perímetro Urbano.

- Qual é a sua melhor recordação da infância?


- Eu sou como o dom Fulgêncio. Não tive infância e por isso faço agora tudo que devia ter feito quando era pequeno. Por isso meu filho Walter Ivan não me chama de pai e sim de Urbano. Ele tem 2 anos, eu tenho 28 (nasci em 1922).

Radiolar #31 - October 1952.

Newton Sá - popular leading radio actor aka galã

Deixemos que o próprio Newton fale sobre sua vida: Meu pai era farmacêutico... à força de tanto lidar com receitas e drogas, acaba sendo um pouco médico... e sonhava para mim uma carreira de médico. Mas eu, que gostava tanto de brincar na fazenda de meu tio em Avaré-SP acabei querendo ser boiadeiro a toda força.

Nasci na cidade de Maracay-SP, em 13 Outubro 1923. Hoje tenho 29 anos e moro no Alto da Lapa com minha esposa Neusa Terezinha Araújo e nosso filhinho Jorge Newton.

- É verdade que você ingressou no radio como cantor?

- Sim. Desde criança tive queda para o canto. Com 6 anos, sob a direção de meu saudoso pai, cheguei a cantar em muitas cidades do interior do Paraná e São Paulo. E ainda me lembro de algumas canções desse tempo. E tomando o violão Newton interpretou algumas canções antigas.

Meu pai se chamava Jorge e minha mãe Yolanda Rosa Righi. A pior emoção de minha vida foi quando morreu Papai. Lembro-me ainda da sala cheia de gente, o caixão e papai. Quando me ergueram do chão para que eu o beijasse pela ultima vez, eu sorri para os presentes como se estivesse num palco agradecendo aplausos. Nunca me esquecerei desse beijo, que só depois de grande compreendi. Eu tinha então, 7 anos de idade.

Vesti calças compridas pela 1ª vez quando tinha 13 anos, e como me senti importante. Aos 12 anos eu já fumava, apesar da proibição dos adultos. Minha 1ª namorada se chamava Elizabeth. Sempre fui leitor assíduo da Tico Tico. Hoje os tempos mudaram e a gurizada quer mais ação e dinamismo. Eu acompanho esse ritmo e encarno um personagem tão do gosto da época, Capitão Atlas.

- Conte-nos como ingressou no radio, Newton.

- Foi com o cantor. Cantei no radio fazendo parte do conjunto da Radio Gazeta. Não tive sorte, não fui compreendido. Achavam que a minha voz era muito parecida com a do Orlando Silva. Isso me prejudicou. Um dia resolvi tentar a Radio São Paulo. Lá tinha um grande amigo, o Waldyr de Oliveira. Submeti-me a teste com o Augusto Bonani e fui bem sucedido. Meu 1º papel surgiu na novela ‘Vida’, de Thalma de Oliveira, positivando-se depois com o papel de galã da novela ‘O lodo e as estrelas’ escrita por Cyro Bassini.

- É verdade que o gênero radio-teatro está cansando?

- Não. A novela foi, é e será sempre a viga mestra do radio. É atacada porque é grande. E tudo que é grande provoca inveja.

- Qual é o seu passa-tempo predileto?

- Cantar, cantar, cantar. Quando não estou no radio, onde trabalho 7 horas por dia, estou em casa cantando. Também gosto de andar de bicicletas.

Maria Tereza Luizzeto Alves de Lima who moved to Pinheiros and Vila Madalena in 1948 wrote on 31st March 2011 at São Paulo minha cidade:

Minha madrinha morava na Rua Fidalga, na Vila Madalena. A Vila era maravilhosa, começando pelas placas das ruas, que eram de cor vermelha invés das costumeiras azuis.

Um dia, minha irmã Zizinha, descobriu que um galã de novelas morava na rua Luiz Anhaia, uma rua de um quarteirão apenas, começando na rua Aspicuelta e terminando na rua Wizard. Chamava-se Odayr Marzano, um jovem de aproximadamente 20 anos, loiríssimo de grandes olhos azuis, estatura média, bonito como ele só.

O Odayr atuava na Radio São Paulo, uma emissora do grupo de Paulo Machado de Carvalho que tinha seus estúdios na Alameda Barros e era dedicada a radio-novelas. Ela tinha uma audiência enorme!

Arthur Miranda wrote at the same site, São Paulo minha cidade: Conheci muito o pessoal da Radio São Paulo dessa época. Tive 3 sobrinhos que trabalharam nessa famosa radio: Newton Sá, galã casado com  minha sobrinha Neusa Araujo; e o Carlos Araujo, ator central, casado com a atriz Odete Lins... e muitos amigos como Antonio Aragão, Fred Jorge (o Jaburu), Mario Dias, Gilmara Sanches, casada com Ezio Ramos, Arlete Montenegro, Enio Rocha com também o Odayr Marzano, que também fez televisão mais tarde.