Saturday, July 19, 2014

RADIO INDUSTRIAL PAULISTA

Radio Industrial Paulista was a small radio station beaming from its studios at Rua Butantã (see the picture below) in Pinheiros, a suburb in the city of São Paulo. It had a faithful following around the few miles its waves would reach. Radio Industrial Paulista made a difference in the early 1960s. It was mostly a young people's station playing rock'n' roll and pop tunes. 

In April 1964, Brazil was the victim of a Military Coup that destroyed our democracy and from then on things became really bad. Four years later, there was a coup within the coup and Brazil was plunged into total Darkness.  Radio Industrial Paulista was another victim of such lunacy and disappeared from the waves... along side with Radio Piratininga, Radio Marconi, Radio 9 de Julho and others.
Rua Butantã, 128, 3o. andar - in 2013.

Radio Industrial Paulista era uma rádio que tinha seus estúdios na Rua Butantã, 128, 3o. andar a um quarteirão do Largo de Pinheiros, quando esse tinha um balão para a virada dos bondes que desciam a rua Theodoro Sampaio, fazendo seu ponto final-inicial ali. 


RADIO INDUSTRIAL PAULISTA 1370 khz
Rua Butantã, 128, 3o. andar 
Pinheiros 
fone: 80-5110

Era uma radio de  pouca potência e servia a região de Pinheiros, Vila Madalena, Itaim, Vila Nova Conceição, Caxingui. Talvez suas ondas chegassem até Santo Amaro e Osasco, que até 1962 era apenas um bairro de São Paulo.



Radio Industrial Paulista era uma radio eminentemente jovem, tocando musica popular a maior parte do tempo. Seus locutores liam os anúncios 'ao vivo' de casas comerciais da região de Pinheiros - me lembro especificamente de uma retífica de motores situada à rua Vital Brasil e de lojas da rua Theodoro Sampaio  - tendo ao fundo temas musicais retirados dos LPs de Ray Conniff, notadamente 'My heart stood still' de 'S Hollywood, lançado em 1958.

Ruy Marcos era um dos DJs principais da rádio, dirigida por Olavo Molina. O prefixo da emissora era sempre apresentado ao som da introdução da gravação de 'Noite cheia de estrêlas', tocada magistralmente pelo guitarrista Poly, mega-sucesso de 1960. O speaker Ruy Marcos dividia suas atividades entre a Industrial e a Radio Cultura, que naquele tempo era de propriedade de Assis Chateaubriand e suas Emissoras Associadas.



Notas publicadas na Revista do Radio, seção 'São Paulo não para!' do jornalista Mario Julio entre 1960 e 1964:

A Radio Industrial Paulista lançou a novela 'Os céus não perdoam' de Odair Menezes. 

Patricia Ribeiro, anunciadora da TV Excelsior, é responsável pelo 'Programa Feminino' , irradiado diàriamente pela Radio Industrial Paulista. 

'Sabatina Musical' é um bom programa de Silvio Penha, transmitido pela Radio Industrial Paulista, aos sábados, às 14 horas. (1963 - Rita Pavone no. 1 em LPs).

Silvio Penha realizou a proeza de fazer a Radio Industrial Paulista ser ouvida. 

Com a apresentação de Amaro Gonçalves e produção de João Fernandes, a Radio Industrial Paulista apresenta diàriamente o programa 'Horas Portuguêsas'. 

Artigo do radialista Enzo de Almeida Passsos na 'Revista do Rock' de 1960, cita que Sergio Murilo (aí na foto com Neil Sedaka e Carlos Imperial no Rio de Janeiro) participou do programa de Sylvio Penha, na Radio Industrial, às 21 horas, atendendo brotos pelo telefone, conversando e tocando seus discos.  


Compato-simples de Carlos Galhardo (1964), que pertenceu ao Acervo da Radio Industrial Paulista.
compacto-simples da Petula Clark pela Mocambo exibindo o carimbo da Radio Industrial Paulista.  


Radio Industrial Paulista simplesmente desapareceu das ondas hertzianas algum tempo depois da decretação do Ato Institucional no. 5 - que não era o perfume da Chanel, mas cassou várias emissoras de São Paulo.


'Gazeta de Pinheiros' começou publicação em 1956, capitaneada por Durval Quintiliano de Oliveira e Walter Luiz Evangelista, fazendo de Pinheiros um bairro privilegiado, tendo não só um jornal, mas uma emissora de radio.

Pesquisando a Internet, encontrei referência à Radio Industrial Paulista feita no blog de Lafayette Hohagen, cujo link está abaixo. Ele fala de uma Radio Industrial Paulista bem diferente da qual conhecíamos entre 1961 e 1964. Ele diz que a Radio tinha uma programação voltada à colônia nipônica. Isso, talvez, tenha acontecido entre 1965 e 1968, quando, segundo Hohagen, a Radio mudou de nome e se transformou em Radio Apolo, saindo de Pinheiros para se alojar na Pça. Osvaldo Cruz, na Avenida Paulista. 

http://contosdolafa.blogspot.com.br/2009/08/1969radio-apolo.html


no blog 'Contos do Lafa', Lafayette Hohagen se refere à Radio Industrial Paulista. Vai, aí,  parte do texto:

São poucas pessoas que conheço, que ouviram falar na Radio Apolo. Até, talvez, se lembrem da Radio Industrial Paulista. Na verdade trata-se da mesma emissora. Radio Industrial Paulista, tinha sua sede no bairro de Pinheiros e sua programação era voltada à colonia nipônica. Sucessos musicais, noticiários e anunciantes de produtos orientais preenchiam os horários da emissora, que era dirigida e de propriedade de japoneses. Quando passou a se denominar Rádio Apolo, fazendo alusão às naves espaciais tripuladas de 1968 e que em 1969 alcançou a lua, mudou de endereço e de personalidade. Foi para a Praça Oswaldo Cruz e eliminou a programação nipônica. A pequena Rádio Industrial Paulista preparava-se para crescer.

Lafayette Hohagen, 24 Agosto 2009.
Radio Industrial Paulista situava-se no 3o. andar desse sobradinho na rua Butantã, 128, em Pinheiros. 
Em 2013, essa região está deteriorada e abandonada, mas o sobrado da antiga Radio Industrial Paulista ainda sobrevive. 
Subindo essas escadas, se chegava ao 1o. andar; havendo ainda dois lances para se chegar ao estúdio transmissor da Radio Industrial Paulista no 3o. andar. 

História da Radio Industrial Paulista 





Na verdade, a Radio Industrial Paulista, cuja 'mãe' era a Radio Difusora de Iguape Ltda., foi dada autorização para mudar seus transmissores para Osasco, que então era um distrito da cidade de São Paulo. A autorização de funcionamento da Radio foi publicada em Novembro de 1957, mas a Radio em si só começou a funcionar em 1960, transmitindo de um estúdio na Rua Butantã, em Pinheiros. 

Decreto nº 48.280, de 9 de Junho de 1960

Outorga concessão à Rádio Difusora de Iguape Limitada, para instalar uma estação radiodifusora.
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 87, nº I, da Constituição, atendendo ao que requereu a Rádio Difusora de Iguape Limitada e tendo em vista o disposto no art. 5º, nº XII, da mesma Constituição,

Decreta: 

     Art. 1º Fica outorgada concessão à Rádio Difusora de Iguape Limitada nos têrmos do art. 11 do Decreto número 24.655, de 11 de julho de 1934, para estabelecer, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, sem direito de exclusividade, uma estação de ondas médias, destinada a executar serviço de radiodifusão. 

     Parágrafo único. O contrato decorrente desta concessão obedecerá às cláusulas que com êste baixam, rubricadas pelo Ministro de Estado dos Negócios da Viação e Obras Públicas, e deverá ser assinado dentro de 60 (sessenta) dias, a contar da data da publicação dêste decreto no Diário Oficial, sob pena de ficar sem efeito desde logo, o mesmo decreto. 

     Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, em 9 de junho de 1960; 139º da Independência e 72º da República.

Juscelino Kubitschek  
Ernani do Amaral Peixoto


Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 de 10/06/1960

Publicação:  Diario Oficial da União - Seção 1 - 10/6/1960, pagina 9013 (publicação original).


nota na Revista Melodias de 1969, sobre a compra da Radio Industrial Paulista por Koei Okuhara, Helio Hohama e Takao Miyagui. 



Artigo de Daniel Castro, publicado na Folha de S.Paulo de 26 Julho 1999, segunda-feira, esclarece a história da Radio Industrial Paulista de São Paulo

leia tudo em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc26079908.htm

Deputado José Masci de Abreu, do PSDB-SP tem 3 rádios clandestinas

José Masci de Abreu, do PSDB-SP, alugou emissora considerada a maior pirata de São Paulo para igreja. 

Dono da Radio Atual AM (1.370 Khz), o deputado federal José Masci de Abreu (PSDB-SP) mantém 3 emissoras irregulares, que não têm concessão do governo federal que as autorize a funcionar. 

Em sociedade com o irmão Paulo Masci de Abreu, o deputado mantém as rádios 94.1 FM (94.1 Mhz) e Apolo AM (1.230 Khz), em São Paulo, e a Difusora de Iguape (750 Khz), em Registro, a 185 km a sudoeste da capital. Todas são consideradas clandestinas, ou piratas, pelo Ministério das Comunicações. 

Paulo de Abreu também é dono da Comunicações Brasil Sat (CBS), que controla, só na Grande São Paulo, cinco emissoras não-clandestinas de FM (Scalla, Tupi, Alpha, Kiss e Apolo) e três de AM (Tupi, Iguatemi e Mundial).

A mais importante das emissoras irregulares dos irmãos Abreu é a 94.1 FM, com antena na esquina da Avenida Paulista com rua da Consolação.

A 94.1, que já se chamou Apolo FM (atualmente na frequência 104.1 Mhz) e que hoje está alugada para a Igreja Pentecostal Deus é Amor, é a maior rádio clandestina do EStado, com potência de 20 mil watts e cobertura total na Grande São Paulo. A maioria das rádios piratas opera com 50 watts, com cobertura de 5 km de raio, e as 'legais', com concessão, tem transmissores de mais de 50 mil watts.


A 94.1 FM está no ar desde 1996. Em janeiro de 1998, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigá-la, mas não pode fechá-la devido a uma liminar.

Existem cerca de 6.000 rádios clandestinas no Brasil, das quais 1.200 estão na Grande São Paulo, segundo estimativa do Fórum Democracia na Comunicação, entidade que as congrega.

São clandestinas, ou piratas, todas as emissoras que não possuem outorga, a autorização do governo para funcionar. A atividade é considerada crime pelo decreto 236/67, com pena de até dois anos de reclusão.

Entre as piratas, há pelo menos dez de grande alcance, que são captadas com qualidade por qualquer aparelho em pelo menos duas regiões de São Paulo. Entre elas, as mais potentes são, além da 94.1 FM, a Planeta 90 (90.1 Mhz), com 10 mil watts, e a Nova Visão (98.9 Mhz), com 1.500 watts declarados pela própria emissora.

Rádio fechada

O caso da 94.1, no entanto, é diferente porque José de Abreu diz que ela é o restabelecimento de uma rádio fechada em 1974, a Difusora de Iguape. Ou seja: seria a reabertura, 22 anos depois (em 1996), de uma concessão extinta.

Difusora de Iguape, criada em 1949, de fato obteve permissões para operar em São Paulo em ondas curtas (AM) e em frequência modulada (FM). Foi vendida por Olavo Molina e Maria Frank, seus donos originais, em 1969, para Koei Okuhara.

Segundo os filhos de Molina, Okuhara morreu antes de pagar todas as parcelas da operação, e os herdeiros de Okuhara a revenderam para José e Paulo de Abreu, que assumiram a emissora e mudaram seu nome para Apolo.

Molina, então, entrou com uma ação na Justiça Cível de São Paulo, tentando reaver a rádio, mas perdeu para os Abreu. A emissora, oficialmente, continuava em nome de Molina e Maria Frank.

Por causa da disputa judicial e temendo que a filial de Registro fosse tomada pela guerrilha de esquerda, o governo decretou a extinção da concessão da Difusora de Iguape em 6 de março de 1974.

Em dezembro de 1996, os irmãos Abreu registraram na Junta Comercial de São Paulo contrato pelo qual Olavo Molina e Maria Frank lhes vendiam a emissora. O contrato é datado de 7 de março de 1974, um dia após a extinção da concessão, e é considerado falso por perito (leia texto abaixo).

Desde 1996, José de Abreu fez pelo menos duas tentativas de legalizar as emissoras clandestinas no Ministério das Comunicações.

Em 1997, ele conseguiu uma liminar na 1ª Vara da Justiça Federal de Brasília impedindo que as rádios fossem fechadas. A ação principal, que irá decidir se a concessão cassada em 1974 deve ser restabelecida, aguarda sentença.

Folha de S.Paulo, segunda-feira, 26 de julho de 1999

Contrato é falso, diz perito 

O contrato pelo qual o deputado federal José de Abreu e seu irmão Paulo de Abreu teriam comprado a Rádio Difusora de Iguape é falso, segundo o perito Celso Del Picchia, do Instituto Del Picchia.

Os filhos de Olavo Molina, sócio original da emissora, também afirmam que o documento é falso. 'Meu pai jamais venderia a rádio para os Abreu. Ele os odiava', diz o advogado Luiz Antonio Fry Molina, 45. Olavo Molina morreu em dezembro de 1997. 

A pedido da Folha, o Instituto Del Picchia analisou o contrato e emitiu um relatório pericial. O relatório conclui que o contrato é falso baseado em três elementos: a assinatura de Molina, as datas constantes no documento e a identificação das testemunhas (veja quadro acima). 

O contrato de transferência de cotas para novos sócios, Paulo e José de Abreu, é datado de 7 de março de 1974, dia em que o 'Diario Oficial da União' publicou o decreto que fechava a rádio. Na mesma página, dois parágrafos acima, o documento faz referência a legislação posterior a 1974: a lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e o decreto 82.482, de 24 de outubro de 1978.

Isso, segundo o perito Celso Del Picchia, caracteriza 'anacronismo intransponível', quando 'o futuro invade o passado'. 

O Instituto Del Picchia comparou a assinatura de Olavo Molino no contrato com a de seu RG, emitido em fevereiro de 1997. 

Apesar do intervalo entre a data do contrato e a da expedição do RG, Del Picchia conclui que a assinatura de Molina no documento de venda da emissora é falsa. Segundo Del Picchia, a assinatura do RG e as do contrato 'foram emitidas por punhos diversos'. 

O 'O' de Olavro no contrato lembra a letra 'C' e tem remate (final) para a esquerda, enquanto o 'O' do RG tem remate para a direita. 

No comments:

Post a Comment